
Boletim da Greve nº 8 -
Sinasefe - 17 de julho de 2003
Greve cresce e continua.
Servidores não aceitam proposta indecente do governo.
Neste décimo dia de greve dos servidores públicos federais a paralisação já atinge mais de 55% da categoria e vários setores se preparam para aderir, nas próximas semanas, ao movimento contra ESSA reforma da Previdência. Na avaliação do Comando Nacional Unificado da Greve, o recuo do governo foi insuficiente e sua contraproposta, indecente. É inaceitável que, para a manutenção da integralidade da aposentadoria dos atuais servidores, estes tenham que trabalhar mais 7 anos além do previsto na legislação atual para se aposentarem. Nota do Comando Nacional de Greve explica e se posiciona:
"Nas atuais regras de transição, o servidor federal, para se aposentar com o salário integral, precisa trabalhar há pelo menos 10 anos no serviço público e 5 anos no cargo; ter contribuído para a previdência por 35 anos (homem) e 30 anos (mulher); e ter pelo menos 53 anos (homem) e 48 (mulher). Pela proposta que agora nos apresentam, para garantir esse direito que a lei atual lhe assegura, o servidor teria de ter pelo menos 20 anos no serviço público e 10 no cargo; 35 anos (homem) e 30 anos (mulher) de contribuição; e 60 anos de idade (homem) e 55 anos (mulher).
Os futuros servidores não teriam direito à aposentadoria integral e à paridade. Querem que aceitemos para os nossos filhos e para a nova geração aquilo que não aceitamos para nós. Praticamente todo o restante da PEC 40 permanece como proposto originalmente, com o teto e o fim da paridade para a aposentadoria dos futuros servidores e a redução do valor do benefício pago na aposentadoria proporcional. Mantêm-se a taxação dos aposentados, a redução do valor das pensões, e a regulamentação dos fundos de pensão apontando para a privatização da Previdência Social.
Os trabalhadores da iniciativa privada, por outro lado, não vêem suas reivindicações contempladas, apesar dos insistentes discursos do Presidente da República. No caso da iniciativa privada, não reconstitui a aposentadoria por tempo de serviço; a aposentadoria especial para quem trabalha em ambiente insalubre ou perigoso; não se elimina o fator previdenciário; nem se reajustam os valores dos benefícios mais baixos pagos à grande maioria dos aposentados do regime geral do INSS.
Não há também nenhuma medida concreta quanto à inclusão dos 40 milhões de brasileiros excluídos da previdência social. Todos os procedimentos até agora âmbito do Executivo e do Legislativo mostram a total ausência de uma negociação efetiva com os representantes dos trabalhadores.
O que queremos:
- Manutenção do caráter público e estatal da Previdência.
- Manutenção da integralidade e da paridade para os atuais e futuros servidores.
- Nenhuma taxação para os aposentados e pensionistas.
- Fim dos desvios de recursos da seguridade social para pagamento da dívida pública;
- Combate efetivo e punição severa da sonegação e corrupção.
- Revogação da emenda 20, com a recuperação dos direitos dos trabalhadores da iniciativa privada e do setor público, eliminados pela reforma promovida pelo governo anterior.
- Medidas efetivas para inclusão daqueles que não têm amparo previdenciário em nosso país.
- Uma política agressiva de reajuste dos valores mais baixos das aposentadorias pagas pelo regime geral da previdência.
Por todas essas razões:
- declaramos que é inaceitável as propostas divulgadas até agora pelo governo e sua base aliada;
- exigimos a abertura da negociação com os trabalhadores e a sociedade, com a retirada ou suspensão da tramitação da PEC 40. Reafirmamos o pedido de audiência com o Presidente da República;
- exigimos dos deputados o voto contrário ao relatório do relator da reforma, e alertamos: hoje o nosso futuro depende do voto desses parlamentares. O futuro desses parlamentares dependerá do nosso voto amanhã;
- conclamamos os servidores federais de todo o país a fortalecer a greve, ampliando a paralisação e realizando manifestações em todo o país;
- e conclamamos todos os trabalhadores (dos setores público e privado) a se unir a nossas forças em uma grande mobilização nacional, que impeça a privatização da Previdência Social e preserve e amplie direitos dos trabalhadores".
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QUADRO DE GREVE DO SINASEFE |
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Greve por tempo indeterminado |
20 |
CEFET/CE, Campos/RJ, UNED Cajazeiras/PB, Cuiabá/MT, Florianópolis/SC, Ouro Preto/MG, Pelotas/RS, Recife/PE, Salvador/BA, João Pessoa/PB, Santa Inês/BA, UNED Sapucaia/RS, Vitória/ES, Macaé/RJ, UNED Valença/BA, UNED Eunápolis/BA, CEFET-SE, UNED Lagarto/SE, EAF São Cristóvão, Rio Pomba/MG |
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Mobilização |
09 |
Alegre-ES, Bento Gonçalves-RS, Januária- MG, Roraima-RR, Rio do Sul-SC, Stª Rosa do Sul-SC, Natal/RN, Catu-BA, Mossoró |
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Paralisação entre 14 e 18/07 |
04 |
Senhor do Bonfim-BA 14 a 16/07, CEFETQuímica (U.Nilópolis 24/07), São Vicente do Sul/RS, CEFETQuímica (U.Rio de Janeiro 22/7 a 05/8) |
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Assembléias marcadas |
02 |
Uned Barreiras/BA (18/07), Uned Mossoró (20/7) |
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Férias |
05 |
Belém-PA, Machado-MG, Colégio Pedro II-RJ, Santa Teresa-ES, Goiânia. |
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POLÍTICA SALARIAL ADIADA |
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A reunião da Mesa Nacional de Negociação Permanente para definição da política salarial a ser adotada para os servidores federais a partir de 2004, que deveria ocorrer hoje, foi adiada para o próximo dia 24. O adiamento, segundo o Governo, se deve à ausência do Presidente da República que estava em viagem ao exterior e que deveria aprovar a proposta oficial a ser apresentada na MNNP. O Ministério do Planejamento, no entanto, garante que já adotou "todas as providências necessárias no sentido de assegurar que a transferência em questão não venha a impossibilitar a inclusão das verbas orçamentárias que forem objeto da negociação entre o Governo e os servidores, para o orçamento de 2004, em elaboração." |
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ENCONTRO DOS SERVIDORES |
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A DN do SINASEFE alerta a todas as Seções Sindicais interessadas em participar, no próximo dia 24, em Brasília, do Encontro dos Servidores Públicos: Federais, Estaduais e Municipais promovido pela Coordenação Nacional das Entidades de Servidores Federais – CNESF, deverão enviar seu pedido de inscrição até o próximo dia 21. É importante para o fortalecimento do movimento que haja conscientização e sensibilização dos servidores (as) estaduais e municipais, pois as regras de aposentadoria que estão sendo definidas agora pelo Congresso Nacional também os atingirá em seguida. Muitos dos servidores estaduais e municipais não estão conscientes disso e é preciso que as bases atuem no sentido de divulgar essa informação, para que todos eles também se mobilizem contra essa reforma indecente, que quebra nosso contrato de trabalho com o Estado, sem que se promova efetivamente uma mudança na qualidade e abrangência dos serviços que o Estado está obrigado, constitucional e legalmente, a oferecer aos cidadãos. |
REFORMA ATENDE SETOR PRIVADO
– Essa é a opinião do sociólogo Francisco de Oliveira, um dos principais intelectuais ligados ao PT. Ontem, em palestra na reunião anual da SBPC – Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, em Recife, Oliveira se disse chocado com a proposta que só atende aos fundos de previdência privada e não ajudam em nada a economia do país, além de prejudicar os servidores. Para ele, a seguridade social é fundamental para o bom funcionamento da economia capitalista, por ser um seguro contra seus riscos e uma garantia de renda que a faça se mover nos momentos de crise. "Com esse tipo de medida, a recessão só tende a aumentar", pois pode diminuir a demanda na economia e provocar "um enorme arrocho salarial, de porte quase insuportável". Além de classificar esse modelo de previdência como um "regime de morte", disse ser difícil acreditar que tal proposta tenha partido de um governo de um partido de trabalhadores. E que é uma balela dizer que se trata de uma reforma para fazer justiça social.Responsáveis pelo Boletim – Comando Nacional de Greve :
Fátima, Brongar, Adão, Rinaldo, Nério (DN), Tânia (GT Carreira)