O que vem depois do Iraque
Laerte Braga
(La Insignia -
http://www.lainsignia.org/2003/marzo/int_102.htm - Brasil, março de 2003)Os serviços de inteligência norte-americanos foram capazes de colocar sistemas de escutas telefônicas para monitorar os integrantes do Conselho de Segurança da ONU. Descobriu-se que o mesmo expediente foi utilizado junto a integrantes da Comunidade Européia.
O jornalista brasileiro, Élio Gaspari lembra, em artigo publicado em diversos jornais, que os próprios aliados de George Bush diziam-lhe que não tinha condições de vir a ser o presidente. Vamos ver, era o que respondia Bush. Estamos vendo. Puro desvario de um fundamentalista alucinado que acha que fala com Deus e pensa que o mundo é dele. O petróleo é o deus e Bush é o seu profeta.
O grande problema dos norte-americanos é a virgindade de Lois Lane. O Superman consegue salvar a Casa Branca, sempre no momento decisivo, mas Lois Lane continua virgem. Quando o homem de aço achou que deu um jeito o presidente reclamou da demora da bandeira e foi preciso todo um aparato para tudo voltar a ser como dantes. Caso contrário o eixo do mal tomaria conta. O que vem depois do Iraque?
Cuba prepara-se para a tentativa de vir a ser condenada por violação dos direitos humanos na ONU, na comissão específica, em Genebra. Bush quer justificar o bloqueio e certamente quer a ilha para transforma-la numa imensa prisão, à revelia de qualquer princípio do direito internacional. A Venezuela é outra bola da vez. A cunha em que se transformou a Colômbia, sob o governo de Álvaro Uribe, pode ser o pretexto para a ação libertadora naquele país. De quebra a Amazônia. São brutais as pressões sobre o presidente equatoriano, Lúcio Gutierrez, pela base de Manta. A Coréia é pedra noventa. Nem que seja para mostrar ao mundo quem está realmente investido do poder divino de decidir o que é o bem e o que é o mau.
O grande objetivo de Bush é destruir a União Européia. Impedi-la de alcançar condições de grande potência e contraponto ao império boçal e bárbaro que vem se desenhando a partir dos Estados Unidos. Tem aliados importantes, Tony Blair, José Aznar, Silvio Berlusconi e um ou outro fascista instalado num ou noutro governo no continente europeu. O euro constitui-se ameaça real ao poder do dólar e deus disse a Bush que a moeda corrente no céu é a norte-americana.
É a resposta dele a meia dúzia de texanos que ainda acham que sala de estar é para estar decorada com escalpos, todos instalados em sua catedral terrorista e fartando-se no banquete da estupidez militarista de mariners, bombas inteligentes, essas coisas todas que qualquer criança hoje conhece nos jogos de vídeo e computador.
Quando Roger Vadim fez Barbarella misturou os conceitos libertários de uma época num filme agradável e inteligente. A máquina do prazer. Pelo visto, o prazer de Bush serão os corpos de milhares de iraquianos depois de 3 mil bombas. Capitis deminutio. Em todos os sentidos.
Engana-se quem pensa que Mad Max é mero exercício ou de ficção, ou de futurologia. É presente. A horda avançando por desertos atrás de óleo. Vai, naturalmente, comemorar com cerveja e pretzel, ao lado de seus dois cães, aos quais quer como se filhos fossem.
Deus disse a ele que os iraquianos não são gente. Nem os palestinos. Nem os afegãos. Nem....