http://www.terravista.pt/FerNoronha/4980/Artigos/Emmanuel1.htm
Uma das poucas "coisas" lógicas e supostamente reais dentro das ciências econômicas constitui o racionalismo presente nas relações comerciais entre as nações. Entretanto, caro leitor, devemos estabelecer um prévio elo entre os acontecimentos que marcaram o início deste século com os atuais momentos caóticos dos vários ciclos de dependência estabelecidos entre as nações. Eis um lembrete: tenham em mente o clássico desenho da Disney "O rei leão" e o renomado herói "Superman" da DC Comics.
Ao estabelecermos um breve retrospecto da crise dos anos 30, vemos o aparecimento da rivalidade entre as nações provocadas pelas adversidades mercantis que, na maioria das vezes, eram camufladas por instabilidades políticas e ideológicas. Vemos também o aprofundamento das desigualdades sociais entre países do norte e países do sul, particularmente quando damos ênfase a questão africana e a reconstrução da economia européia - se é que podemos considerar isto um fato consumado. Segundo Dowbor, a atual história do desenvolvimento econômico das nações está centralizado em "(...) uma nova hierarquização dos espaços, segundo as diferentes atividades, envolvendo tanto globalização, como formação de blocos, fragilização do Estado-nação, surgimento de espaços subnacionais fracionados de diversas formas, (...)". É de fácil compreensão, leitor, que a existência de uma lógica física presente nos movimentos do capital conduz ao presente estágio de desenvolvimento do capitalismo, enquanto regime "formoso". No entanto, esta lógica magnífica, se desprende de um mar caótico, a nível pontual. Temos, portanto, a questão da concentração e centralização do capital como um fenômeno de fácil visualização. Temos escondido, portanto, um fenômeno global que é sumarizado tanto pela "condição caipira", segundo nosso catedrático presidente e pela esquerda "neo-bobista" quando idolatram a globalização como fenômeno irreversível, capaz de liquidar moedas, governos ou nações num piscar de olhos.
Nossa América Latina, segundo Paulo Nogueira Batista Jr., comporta-se como a população asteca frente aos espanhóis, recém contaminada pelo verme do entreguismo e pelo câncer do neoliberalismo que, séculos adiante, se manifesta. Nossa condição de dependentes se manifesta nos "(...) males provocados pelas decisões ou omissões da política econômica nacional (...)". Belo é o repúdio manifestado por Nogueira ao estabelecer um conformismo latino-americano em momentos de alto desemprego, venda de empresas rentáveis ao estrangeiro e de fragilidade dos mercados financeiros latino-americanos. Será que devemos alimentar o mito do leão como rei dos animais e o mito do superman, defensor dos pobres e dos oprimidos? A figuração americana, como única superpotência econômica, manifesta-se nos meios de comunicação e propaganda, no meio televisivo, e literário a nível global. Apesar de tudo, leitor, devemos concordar com Conceição Tavares quando afirmamos que o poderio global controlado pelos EUA não advém unicamente da sua máquina econômica ( vale lembrar que eles são os maiores devedores!) e sim das manobras ideológicas impostas por eles.
A fina flor do imperialismo norte-americano, na verdade, são os países dependentes de tal ideologia e que validaram a sua dependência econômica quando "festejam" a extorsão provocada por Nixon, após o famoso descumprimento do Acordo de Bretton Woods. Para Celso Brant, a cobrança de juros cobrados pela aquisição de dólares não lastreados conduz a dívida incorporada pelos países do Terceiro Mundo. "(...). Se não fossem os juros, essa dívida não existiria. O Brasil, por exemplo, já pagou de juros muito mais do que sua dívida, o mesmo acontecendo aos outros países do Terceiro Mundo.".
Eis que aflora o discurso da globalização nos quatro cantos do globo, estabelecendo-se as suas virtudes e pecados. E mais uma vez temos os EUA encabeçando a "Nação América", como única nação capaz de conduzir o desenvolvimento dos países latino-americanos seja através dos órgãos financeiros internacionais, seja através da mídia e de outras formas, mistificadas em cultura e entretenimento. A consolidação da Alca é o pressuposto inicial para que a liderança norte-americana passe do imaginário das pessoas para o real socialmente aceito. A Alca é para os EUA mais um objetivo político do que econômico, pois os mercados dos países do NAFTA eqüivalem a cerca de 87% do mercado hemisférico. Atualmente, entretanto, há mais divergências mercantis do que as de cunho político ou ideológico. "EUA pedem abertura, mas fecham portas" corresponde a uma manchete típica em tempos de ampliação do terrorismo mercantil promovido por eles. Temos um jogo mercantil, no qual nenhum país deseja perder pois as deformidades em termos de composição orgânica são fabulosas. Diversas vezes somos apunhalados pela OMC ou diretamente pelos EUA. Mas, não pensem que não somos a fina flor, pois temos um "superman" ou um "rei leão", rei do animais, para nos salvar e nos proteger.