Alguns tópicos da moral de Nietzsche
- VIDA = luta contínua, vontade de potência, conjunto de forças em luta
- Vida como luta - a luta garante a permanência da mudança: nada é senão vir a ser.
- Vida como "Vontade de Potência" = vontade de poder. Necessita de obstáculos que a estimulem, precisa de resistências para que se manifeste, requer oponentes para exercer-se. Para que ocorra luta é preciso antagonistas. E como ela é inevitável e sem trégua ou termo, não pode implicar destruição dos beligerantes. Não pode caracterizar-se pela adaptação ao meio em que se acha mas quer exercer-se sempre mais sobre o que está a sua volta.
- Viver = ser cruel e inexorável com tudo o que em nós é velho e enfraquecido.
- a vida enquanto vontade de potência é o critério para avaliação dos valores. Bom é aquilo que favorece a "vontade de potência" e mau o que desfavorece.
- Vida como conjunto de forças em luta - querendo vir a ser mais forte a força esbarra em outras que a ela resistem. É inevitável a luta por mais potência. A cada momento as forças relacionam-se de modo diferente, dispõem-se de outra maneira. A todo instante, a "vontade de potência", vencendo resistências, se autosupera e, nessa superação de si faz surgir novas formas. É pois força criadora.
Moral dos nobres x Moral dos escravos
- Moral dos nobres -
surge da afirmação. Mais da auto-afirmação.
- nela não existe o "bom" (da moral dos escravos" mas o "forte" que é o criador de valores.
- "Forte" = nobre, poderoso, feliz, o que diz sim a si mesmo, não precisa se persuadir de sua felicidade pois ela é ação (ser ativo é parte necessária da felicidade), vive com confiança e franqueza diante de si mesmo. Não consegue levar a sério por muito tempo seus inimigos, suas desventuras, seus malfeitos (ele esquece). Ama os bons inimigos - aqueles em que nada existe a desprezar e muito a venerar. Despreza o bem estar, a segurança. Não é "prudente".
- Moral dos escravos - moral dos ressentidos. O ressentido, incapaz de admirar o forte imputa-lhe o erro de ser forte. Chama-o de mau. Não cria valores, inverte o que foi posto pelos nobres. O que vem dos nobres é mau. O que vem dele é bom.
- quer transformar em força a própria fraqueza (renúncia, paciência, resignação)
- é a impossibilidade de agir neste mundo que o leva a forjar a existência de outro, onde terá posição de destaque, ocupará lugar privilegiado, ser figura eminente.
- traveste sua impotência em bondade, a baixeza temerosa em humildade, a submissão aos que odeia em obediência, a covardia em paciência, o não poder vingar-se em não querer vingar-se e até perdoar, a própria miséria em aprendizagem para a beatitude, o desejo de represália em triunfo da justiça divina sobre os ímpios.
- o Reino de Deus aparece como produto do ódio e do desejo de vingança dos fracos. Ódio e ressentimento são as palavras chaves para compreender o ressentido. É a diferença que causa o ódio, ou melhor, é a recusa da diferença que o engendra
- incapaz de aniquilar o forte, o homem do ressentimento quer vingar-se. Não podendo fazê-lo, imagina o momento em que sua ira se exercerá impiedosa e implacável
- o Bom na moral dos escravos = requer estímulos exteriores para poder agir, precisa se persuadir da felicidade, é passivo (quer sossego, paz). Concebe o inimigo como mau. Valoriza a segurança, o bem-estar. É prudente. É o manso, domesticado. De instinto gregário. Remete a Deus a vingança. Foge de toda a maldade e exige pouco da vida. É o paciente. É o medroso. É o sofredor. Enquanto o nobre sempre afirma ele sempre nega. É o piedoso.
by Laerte Moreira dos Santos - 1994